70 anos AFCP

Sede

Iniciamos esta seção comemorativa dos 70 anos de existencia da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), fazendo uma justa homenagem aos 14 presidentes da Entidade no decorrer desse período histórico de organização da classe, pela manutenção da cultura canavieira. Assim, listamos abaixo todos os aguerridos líderes e seus respectivos períodos à frente da Associação.

Lista de presidentes:

1 – Manoel Netto C. Campelo Júnior
Gestão – 1944 a 1946

2 – Sylvano Olympio de Queiroga
Gestão – 1946 a 1948

3 – Benedito Silveira Coutinho
Gestão – 1948 a 1952

4 – José Vieira de Melo
Gestão – 1952 a 1954

5 – Fausto da Silva Pontual
Gestão – 1954 a 1958

6 – Luiz Gonzaga X. de Andrade
Gestão – 1958 a 1962

7 – Francisco A. Moreira Falcão
Gestão – 1962 a 1974

8 – Fernando A. de A. Rabelo
Gestão – 1974 a 1978

9 – Antônio Celso C. de Andrade
Gestão – 1978/1984; 1986/1989 e 1992/95

10 – Severino Ademar de Andrade Lima
Gestão – 1984/1986 e 1989/1992

11 – Manoel Antônio Soares Neto
Gestão – 1995 a 2001

12 – José Maria de Andrade Filho
Gestão – 2001 a 2004

13 – Ricardo Buarque de Gusmão
Gestão – 2004 a 2007

14 – Alexandre A. de M. Andrade Lima
Gestão – 2007 a 2016

Ao completar 70 anos de existência, ratificamos ainda a homenagem aos presidentes vivos, com a exposição da foto deles reunidos na frente da AFCP, na ocasição do aniversário das setes décadas da Entidade.

Da mesma forma, com igual valor e apreço, registramos a homenagem e agradecimentos a todos os dirigentes, funcionários, consultores e parceiros que fazem com que a AFCP continue firme em direção ao futuro.

Presidentes

Todavia, ressaltamos que, além de comemorarmos, também é tempo de refletirmos sobre os desafios que a Associação deverá encontrar nos anos vindouros. Neste sentido, o atual presidente da Entidade, Alexandre Andrade Lima, deixa uma mensagem para todos que compõem a classe canavieira e querem fazer com que a AFCP permaneça viva por muito mais tempo, representando politicamente o interesse de todos do setor.

 

Rumos aos 80 anos: desafios para continuar caminhando

Alexandre Andrade Lima – Presidente da AFCP

Muitos caminhos já foram trilhados neste percurso histórico de 70 anos de existência da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), com altos e baixos, no decorrer dessa experiência organizativa e representativa da classe canavieira do Estado. Todavia, é reservado a todos nós, contemporâneos fornecedores e plantadores de cana, a missão de darmos prosseguimento nesta belíssima e exitosa trajetória. O desafio se estende aos funcionários e colaboradores da Associação. Assim, avaliamos que os próximos 10 anos serão de grandes desafios para a manutenção do segmento. Portanto, uma minuciosa análise do que se avizinha precisa ser feita para juntos nos prepararmos unidos para enfrentar a responsabilidade que se aproxima e interessa a todos que ainda investem e querem a permanência da cultura canavieira.

A perspectiva futura para os próximos 10 anos precisa ser coerente com a atual realidade do Brasil. E esta é bastante caótica devido à ausência de políticas públicas do governo federal no setor sucorenergético, promovendo o cenário de crise aguda e incertezas. Por este motivo, infelizmente, não acreditamos que o novo período será de crescimento, mas também não quer dizer que será um desastre automático, mesmo vendo uma catástrofe anunciada em função dos equívocos do governo em relação à falta de políticas de médio e longo prazo para o etanol. Avaliamos, portanto, que será necessário muito vigor, união, articulação e mobilização da classe canavieira para manter nossa produção estável.

Será preciso criatividade para buscarmos alternativas para baixar o nosso custo de produção, bastante alto em comparação à produção da região do Centro-Sul do Brasil. A iniciativa de todos é indispensável para tentarmos ser competitivos neste novo momento histórico. Para manter a produção estável será preciso buscarmos investimentos em irrigação. Não há outro meio de aumentarmos a produtividade. Aliada a isso, ainda será necessário buscar novas tecnologias, a exemplo de novos tipos de cana mais resistentes à estiagem na Região. Será preciso investir em canas transgênicas, o que o governo já vem fazendo, mas o processo é ainda bastante lento diante da necessidade urgente do segmento.

O governo federal precisa investir e apoiar a iniciativa privada e pública no desenvolvimento tecnológico de máquinas capazes de realizar o corte da cana em áreas topográficas acidentadas, que é abrangente nos canaviais nordestinos. As experiências realizadas pelas usinas Cucau e Olho D’água sobre a questão, mostram que elas estão no caminho certo e tais ações precisam contar com investimento do Poder Público. Outras ações na mesma direção também têm sido desenvolvidas e contam com recursos públicos, a exemplo daquelas que estão sendo realizadas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), através da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro. Mas os investimentos continuam reduzidos em relação à necessidade posta.

Outro fator fundamental para a manutenção da produção canavieira é a continuação da subvenção federal como medida equalizadora dos custos da produção nordestina. A última foi de R$ 12 por tonelada de cana. Todavia, precisamos buscar formas de sermos competitivos sem este complemento, sobretudo, através de investimentos em tecnologia e em irrigação. Embora que, para findar a subvenção, o governo precisa fazer primeiro a política pública de médio e longo prazo do combustível renovável e infinito, a exemplo do etanol. Enquanto tal política não se efetiva, ou aguarda os efeitos dela quando (se) for implantada, a subvenção deve continuar pelo menos nos próximos 10 anos.

Entretanto, a manutenção da produção depende da reorganização dos próprios produtores canavieiros. É preciso encarar que a sobrevivência do fornecedor está atrelada ao cooperativismo. Maior prova local é a Cooperativa do Agronegócio da nossa Associação (COAF). Em poucos anos de criada e em funcionamento, a experiência além de baixar nossos custos, principalmente na aquisição de herbicidas, tem também baixando a margem dos concorrentes. A iniciativa tem beneficia todos os fornecedores de cana. Além disso, no próximo ano, a COAF pela primeira vez redistribuíra lucros com seus cooperativados. A Pindorama em Alagoas, é outro exemplo positivo dessa organização de canavieiros por meio do modelo de cooperativismo.

Portanto, neste mesmo caminho, finalizo lembrando que a AFCP se lançará em direção de tal exemplo cooperativista, para iniciar de forma inédita, ao longo de sua história, a criação de duas cooperativas para buscar gerir as usinas Cruangi e Pumaty. É preciso quebrar o paradigma de que cooperativa só funciona nas regiões do Sul e Sudeste do Brasil. Ademais, que venham os desafios desse novos 10 anos da Associação.

Como disse o nobre dirigente, que venham os próximo anos com seus desafios. Todavia, o promissor amanhã de uma Entidade, com tamanha responsabilidade como tem a AFCP, tem relação direta às suas atuações no tempo presente, bem como as que serão tomadas no novo período, mas também tem relação direta com as experiências deixadas no passado. Desse modo, é oportuno deixarmos um breve apanhado da brilhante trajetória histórica da Associação, como suas lições deixadas para o futuro.

 

AFCP já nasce com grande missão perante a classe

A história da produção de cana pernambucana se mistura à formação do próprio Estado e do seu povo. Em 1526, um pouco mais de duas décadas após a descoberta do País, há relatos da primeira exportação da matéria-prima do açúcar à Europa. Tal realidade produtiva e rentável fez com que engenhos se multiplicassem rapidamente, principalmente na Zona da Mata. O progresso da atividade se estendeu para os séculos seguintes e foi responsável pela evolução socioeconômica e pela formação cultural e política do povo nordestino e do Brasil. No século XX, a produção de açúcar dos engenhos cedeu lugar às usinas e os donos de engenhos passaram a fornecer a cana às unidades industriais.

Com a mudança, surgem novos desafios para a classe dos canavieiros. Assim, precisaram se organizar para evitar prejuízos financeiros com o fornecimento da cana aos usineiros, que passaram a ditar o preço do produto. A partir dessa etapa histórica, iniciam as experiências efetivas de organização desses agricultores. A primeira remonta a 1934. Funda-se o Sindicato dos Plantadores de Cana de Pernambuco. Todavia, em função de limites de autonomia impostas pelo período político do Estado Novo, qualquer órgão sindical estava amarrado às decisões do Poder Executivo. A situação reduzia o poder de reivindicação da nova entidade para se contrapor aos interesses conflitantes ao segmento canavieiro.

Diante da conjuntura sociopolítica, os fornecedores de cana unem seus esforços para criar um outro órgão representativo com maior autonomia e liberdade de mobilização frente à situação política da época. Daí surge a fundação da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP). “Isso aconteceu porque a natureza jurídica de uma associação permitiria maior liberdade de atuação, evitando a intervenção estatal como ocorria nos sindicatos, pois estes eram tutelados pelo Governo”, explica um dos ex-vice-presidente da AFCP, Eça Fernandes, 80 anos.
Neste contexto, em 18 de abril de 1944, há 70 anos, nascia a AFCP. Seu primeiro presidente foi o respeitado dono de engenho, Manoel Netto Carneiro Campelo Júnior. Ele ficou no comando da entidade até o ano de 1946. Com o fim do mandato, foi substituído por Sylvano Olympio de Queiroga (1946/48); seguido por Benedito Silveira Coutinho (1948/52) e por José Vieira de Melo (1952/54). Depois vieram mais 10 presidentes que os sucederam até os dias atuais.

Durante cerca de duas décadas depois da fundação, a AFCP funcionou no Edifício Sulacap, no centro do Recife, em sala cedida pela Sociedade Auxiliadora da Agricultura – organização responsável pelos agricultores pernambucanos.

“Desde o nascimento, a AFCP carrega a nobre missão da manutenção da cultura canavieira”, destaca o atual presidente do órgão, Alexandre Andrade Lima. O dirigente aproveita para lembrar da primeira missão institucional da Associação na época de sua fundação. A AFCP ficou responsável por representar os produtores rurais junto ao Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), órgão fundado em 1933. A autarquia federal foi criada com objetivo de regular a produção canavieira no Brasil. Desse modo, a participação dos produtores era indispensável junto ao IAA para buscar pressionar por formas isonômicas de regulamentar e de fiscalizar a relação comercial entre fornecedores de cana e industriais.

 

Surge uma ideia ousada e de sucesso no setor canavieiro

Eça Fernandes – Ex-vice-Presidente da AFCP (foto deve ficar dentro da matéria abaixo)O cooperativismo tão falado atualmente já era uma prática comum no segmento dos produtores canavieiros desde a década de 1940.

Nos anos da década de 1940, a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) já inovava com a criação de uma espécie de banco próprio do segmento. O objetivo do banco era oferecer crédito financeiro para os produtores investirem no plantio de seus canaviais. A experiência inédita só foi possível por meio da fundação da Cooperativa Banco dos Plantadores (Bancooplan).

“O Bancooplan tornou-se um forte agente financiador de créditos para estimular a atividade canavieira do Estado” lembra um dos ex-tesoureiro da Cooperativa, Eça Fernandes, 80 anos. Ele recorda que se financiava quase tudo para o canavial: insumos, ferramentas, tratores e caminhões. O Bancooplan possuía mais de mil cooperativados numa época em que havia cerca de 5 mil produtores de cana em Pernambuco. Pagava-se os empréstimos com o retorno financeiro das plantações financiadas.

Desde o início, o Banco do Brasil, que foi o maior credor da cooperativa, dava todo suporte técnico para seu melhor funcionamento. A diretoria do Bancooplan era escolhida através da decisão dos cooperativados e cada gestão era trienal. Três ex-presidente da AFCP se destacaram na organização da nova experiência. São eles: Fausto da Silva Pontual Júnior 1954/58), Luiz Gonzaga Xavier de Andrade (1958/62) e Francisco Alberto Moreira Falcão (1962/74).

 

Falcão conquista sede própria após AFCP completar maioridade

Francisco Falcão – ex-presidente da AFCP (foto deve ficar dentro da matéria abaixo)

Na década de 1960, durante quase duas décadas de fundação, o então presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Francisco Alberto Moreira Falcão (1962/74), conquista a primeira sede própria da Associação, emancipando-se da Sociedade Auxiliadora da Agricultura – entidade que cedia espaço físico para o funcionamento da AFCP desde o surgimento em 1944. Falcão adquiriu um prédio na rua do Imperador, no bairro de Santo Antônio, no Recife.

A inauguração contou com a presença do então senador José Ermírio de Moraes, ex-ministro da Agricultura e conceituado industrial da época, além de muitas outras autoridades governamentais e empresariais. “O episódio mostrava que a AFCP se tornava cada vez mais forte política e economicamente para defender os interesses da classe canavieira”, diz Ofélia Carvalho, secretária geral da AFCP e funcionária mais antiga ainda na ativa. Ela entrou durante a gestão de Falcão no ano de 1966.

O prédio tinha três pavimentos. Cada andar comportava uma função específica da AFCP. O setor médico ficava no primeiro andar, toda a parte administrativa no segundo e o auditório no último. Porém, ainda assim, o espaço logo se tornou pequeno para comportar as crescentes demandas da entidade. “Tempo depois, outro imóvel foi adquirido na mesma rua durante o primeiro mandato de Falcão”, frisa Ofélia. O gestor foi o ex-presidente da AFCP que mais tempo consecutivo ficou à frente do órgão ao longo da história de 70 anos da entidade. Ele ficou por seis mandatos seguidos e contava com bastante apoio da classe por conta de seu perfil corajoso, ético e rigoroso na defesa do setor canavieiro.

Imprensa – Falcão se destacava ainda por ser sintonizado à imprensa. O ex-presidente mantinha uma coluna no Jornal do Commercio à época. “Todas as quartas-feiras, ele publicava um artigo para divulgar as ações desenvolvidas pela AFCP”, recorda Ofélia. Os artigos apresentavam as principais ações realizadas junto às altas autoridades do período.

 

Tanques e aviões do Exército observam protesto do setor

Antônio Celso – ex-presidente da AFCP (foto deve ficar dentro da matéria abaixo)Em pleno período do Regime Militar, em meados da década de 1970, os produtores nordestinos tomaram às ruas com caminhões, tratores, ônibus e carros, paralisando o tráfego entre Pernambuco e Alagoas. A iniciativa contou ainda com produtores do Rio Grande do Norte, Paraíba e de Sergipe. Essa foi a primeira grande mobilização unificada da classe canavieira da Região. O movimento foi liderado pela Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP). A ação aconteceu porque os canavieiros estavam bastante contrariados com uma medida governamental que iria estabelecer o preço da cana com base no rendimento industrial de cada usina. O fato revoltou o setor porque oficializava aos usineiros o poder de definirem unilateralmente o valor da cana, provocando um significativo prejuízo à atividade dos agricultores.

“Todo o protesto foi acompanhado por tanques, avião e helicópteros do Exército”, recorda o vice-presidente da AFCP da época, Antônio Celso. O presidente era Fernando Antônio de Albuquerque Rabelo (1974/78). O movimento foi bastante orquestrado. Produtores paraibanos, potiguares e pernambucanos saíram do Recife em direção à cidade de Novo Lino (AL). Lá, reuniram-se com canavieiros sergipanos e alagoanos. Celso lembra que tudo foi feito dentro da ordem, o que evitou a intervenção do Exército. Com a iniciativa conjunta e até então inédita, os produtores nordestinos saíram vitoriosos. O protesto resultou na revogação do decreto do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), que mudaria a forma de calcular o valor da cana. “O ato foi revogado pelo general Álvaro Tavares do Carmo, então presidente do IAA”, diz o ex-vice-presidente.

 

Uma nova sede para um novo momento organizativo

Quase quatro décadas após à fundação, com 38 anos de existência, a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) começa um novo tempo com mais desafios para a classe canavieira. A entidade vivia tempos de expansão e acumulava prestígio político e econômico perante a sociedade. Assim, as primeiras gestões do presidente Antônio Celso Cavalcanti de Andrade (1978/84) decidiu avançar nas questões sociais do setor mais tradicional do Estado. Nesse período, uma moderna sede própria é fundada em 1982, no bairro da Imbiribeira, no Recife. Ela permanece funcionando até os dias atuais. Os produtores deixaram a antiga sede no centro da capital do Estado e seguiram para a nova casa com novos departamentos para melhor atender as demandas dos associados, sobretudo, nas áreas técnicas, para assistir os produtores, e no setor médico, para os trabalhadores.

A nova sede passou a ter uma prédio amplo, diferente da antiga sede na rua do Imperador. A AFCP passou a ter um grande auditório, salas para diretoria e muitos departamentos, além de salão para eventos e dependência para Sociedade Auxiliadora da Agricultura, com todo seu acervo. Ela fica situada na Avenida Mascarenhas de Morais – um dos principais acessos à capital pernambucana, facilitando o acesso do produtor que vem do interior do Estado. “A decisão da melhoria foi de toda direção daquela época, que resolveu investir na nova instalação para agregar todos os departamento da AFCP”, frisa Celso.
O ex-presidente lembra que na nova dependência foi instalado um moderno consultório odontológico, com três gabinetes dentários e uma sala equipada para atendimento médico. Foi instalado também uma sala para fisioterapia, academia de ginástica, sauna, piscina e uma quadra de esportes. Além disso, havia um amplo auditório, salão de festas, com uma moderna cozinha industrial. Ele ressalta que tudo foi feito com verba própria da Associação, sem nenhum financiamento, pensando em aproximar o fornecedor à sua casa.

As inciativas de cunho social junto ao trabalhador rural também foi a marca da administração do Antônio Celso. “Quando assumi a direção havia apenas sete ambulatórios instalados no interior para assistir o trabalhador nas questões médicas e odontológicas”, conta o dirigente lembrando que terminou o mandado com 32 ambulatórios em plena atividade nas cidades da Zona da Mata, cada um com até cinco funcionários, entre médico, dentista, enfermeira, secretária e servente. Foi criado ainda na sua gestão, o ônibus para assistência médica e odontológica no campo para os trabalhadores rurais. O serviço contava com o acompanhamento das associadas da Ala Feminina da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco.

Na segunda gestão consecutiva, no biênio 1980/81, Celso ampliou a instalação de balanças registradoras automáticas, em diversas usinas pernambucanas, para conferência do peso das canas entregues pelos fornecedores. No final do mandato, já havia 17 balanças instaladas. Na nova gestão no ano de 1986, o gestor implantou um sistema de incentivo financeiro aos associados que investissem em medicamentos para o seu trabalhador. “Recebia reembolso de 100% qualquer produtor que gastasse com medicamentos para vermes, e 50% para demais medicamentos”, ressalta o ex-presidente. Antônio Celso comandou a AFCP por vários mandatos consecutivos e alternados. Geriu de 1978 a 1984, seguidos de 1986 a 1989 e de 1992 a 1995.

 

Um período de reformas e muitas mudanças para o setor

Severino Ademar – ex-presidente da AFCP (foto deve ficar dentro da matéria abaixo)Um homem com dois mandatos e muitas transformações na Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP). Esta é a síntese das duas gestões de Severino Ademar de Andrade Lima (1984/86, 1989/92) à frente da entidade. O dirigente reformou o estatuto da AFCP no primeiro mandato. Ampliou de dois para três anos a gestão das diretorias e implantou o sistema de cédula única no processo de eleição da direção, além de implantar o plano de cargos e salários para os funcionários. Foi na sua gestão que foi criado o Sistema de Pagamento de Cana pelo Teor de Sacarose – modelo usado até hoje. Além disso, construiu o Laboratório de Fungos para controle biológico da Cigarinha (praga da cana) – funcionando até os dias atuais.

O ex-presidente lembra que para garantir o novo sistema de pagamento da cana-de-açúcar foi necessário ampliar significativamente o quadro de funcionários para fiscalizar e para acompanhar as análises da cana nos laboratórios das usinas. “Foram contratados 70 técnicos de nível médio e três de nível superior”, ressalta Severino Ademar. Ele lembra que o novo sistema já estava previsto na Lei nº4870/65, mas até então nunca havia sido implantado. Com a criação do laboratório de fungos, Ademar pontua que o produtor pode trocar o controle de pragas com defensivos químicos por biológicos, contribuindo na preservação do meio ambiente. A pulverização dos canaviais dos produtores era feito gratuitamente com um avião cedido pelo Instituto do Açúcar e Álcool (IAA).

O segundo mandato de Ademar também foi de grandes transformações. Dessa vez, uma grave crise assolou o setor em função de equívocos do governo do presidente Collor de Melo. A principal dificuldade decorre do Plano Collor, que bloqueou todas as contas bancárias dos brasileiros, inclusive da AFCP, limitando as ações da entidade. Foi também neste período que o IAA foi extinto, prejudicando o setor. Com o fim do único órgão responsável pela regulamentação e fiscalização dos industriais do setor sucroalcooleiro, todos canavieiros sofreram e sofrem até hoje.

Ainda assim, o então presidente continuou firme. Celebrou um convênio com o governo para ampliação de novas variedades de cana mais resistentes. O convenção foi feito com o Planaçúcar – atual Estação Experimental de Cana do Carpina, órgão vinculado à Universidade Federal Rural do Estado. Foram entregues duas mil toneladas aos associados da AFCP. Uma outra ação que continua válida até hoje, foi garantida ainda na gestão Ademar. Todo produtor continua recebendo três litros de melaço por tonelada de cana fornecida às unidades industriais. “Foi preciso sentenças judicial, chegando até o Supremo Tribunal Federal, para garantir tal situação em nosso favor”, recorda.

 

Tratoraço para Recife com 400 máquinas


Tratoraço – reprodução do Jornal Diário de Pernambuco

 

Manoel Soares A. Neto – ex-presidente da AFCP (foto deve ficar dentro da matéria)Este foi o título da matéria principal do caderno de Economia do Diário de Pernambuco, no dia 1º de setembro de 1999. O tema se refere ao grande protesto feito pelos produtores, plantadores, industriais e trabalhadores da cana do NE, contra o atraso do pagamento do subsídio do programa de Equalização de Custos da Cana-de-açúcar, liderado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e coordenado pela Sudene – Superintendência de Desenvolvimento do NE. O assunto foi destaque na imprensa estadual, regional e nacional. O setor sucroalcooleiro, liberado pela Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), na gestão do então presidente da entidade, Manoel Soares Antônio Neto (1995/2001), promoveu uma expressiva mobilização com significativa atenção pública, com 400 tratores e caminhões nas ruas, saindo da AFCP até o Palácio do Campo das Princesas, no Recife.

“O grande protesto, que ficou conhecido por “tratoraço”, reivindicava a liberação em 10 dias do repasse atrasado já por cerca de três meses, da parcela das subvenções de R$ 5,07 por tonelada de cana”, relembra o líder do Departamento Técnico da AFCP, Virgílio Pacífico. Ao todo, seriam liberados R$ 187 milhões com o benefício para equalizar os maiores custos de produção da cana nordestina em comparação à produção na Região Sudeste. Mas, até o momento, uma única parcela havia sido liberada e as outras foram suspensas. Existia uma intenção da Comissão da ANP, de não liberar o benefício para quem estivesse negativado no cadastro na Declaração do Imposto Territorial Rural, o que excluiria a maioria dos pequenos produtores canavieiros (cerca de 90% da classe naquela época).

Todas as usinas nordestinas também haviam aderido ao tratoraço, porém, antes já tinham paralisado a moagem das unidades enquanto o pagamento da subvenção não voltasse à normalidade. Com isso, cerca de 20 mil trabalhadores corriam o risco de perder o emprego. Todos estavam mobilizados para reivindicar seus direitos. Logo, buscaram o apoio junto ao então governador pernambucano Jarbas Vasconcelos. O pleito era de que o Governo Estadual intermediasse junto à ANP para a volta do pagamento e um aumento no valor do subsídio para R$ 9,40, além da implantação de um seguro safra em função da última forte seca.

 

Na crise nasce esperança e atuação coletiva para soerguer

José Maria de Andrade Filho – ex-presidente da AFCP (foto deve ficar dentro da matéria)O começo do século XXI foi bastante difícil para o setor sucroalcooleiro devido principalmente à forte seca que assolou o Nordeste. O cenário era de fechamento de usinas, extinguindo milhares de postos de trabalho, ampliando problemas para o setor canavieiro. Cinco unidades industriais pernambucanas fecharam as portas neste período, com consequências negativas para toda cadeia produtiva. Frente ao caso, a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), agora sob a gestão do presidente José Maria de Andrade Filho (2001/04), fez muito para buscar a manutenção do tradicional setor econômico. Assim nascem experiências organizativas e político-econômicas relevantes, a exemplo da criação da União Nordestina dos Produtores de Cana, e do Programa de Recomposição e Racionalização da Atividade Canavieira da Mata Norte, seguido posteriormente pelo mesmo programa para a Mata Sul (Prorresul), ambos do então governador Jarbas Vasconcelos.

“O Prorrenor e Prorresul foram fundamentais para atenuar a forte seca, através dos benefícios fornecidos pelo governo de Pernambuco”, realça José Maria. Entretanto, o ex-presidente destaca que a criação e efetiva expansão com a consolidação da Unida em todo o Nordeste, liderado pela AFCP, foi bastante importante para soerguer a classe canavieira estadual, regional e nacional. O dirigente pontua que a união regional foi indispensável na restauração da autoestima do fornecedor de cana e ainda no reconhecimento da cadeia produtiva pelo segmento industrial.

Para ele, o aperfeiçoamento do Conselho dos Produtores da Cadeia Produtiva da Cana – órgão composto por canavieiros e usineiros com a missão de definir o preço da cana, dentre outras regras – decorre dessa unidade e da mobilização do setor, contribuindo na etapa inicial desse processo, onde passou a considerar na composição do preço da cana, os reflexos do açúcar e do etanol nos mercados externos e internos. O destaque da gestão de José Maria foi a administração compartilhada, sobretudo na participação do então vice-presidente, Fernando Pessoa de Queiroz, além do consultor Gregório Maranhão. “Também contamos com plena sintonia do Sindicato dos Cultivadores de Cana do Estado, liderado por Ricardo Martins, além da fundamental parceria do Jornal Folha de Pernambuco”, acentua.

 

Uma gestão administrativa para requalificação financeira

Ricardo Buarque de Gusmão – ex-presidente da AFCP (foto deve ficar dentro da mat.)O ano era 2004 e uma nova gestão assumia o comando da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP). O novo presidente era Ricardo Buarque de Gusmão (2004/07) e o seu desafio foi amenizar os problemas de caixa financeiro da entidade. O foco maior do mantado esteve voltado para tal finalidade. Ao final da gestão, o dirigente obteve êxito. O dirigente encontrou o caixa em débito, e ao sair, deixou-o com R$ 800 mil e créditos a receber das usinas.Destacou-se também por conseguir a reedição do Prorrenor e do Prorresul, no governo Jarbas Vasconcelos. Ricardo participou ainda da fase de reformulação do Consecana, a fim de melhorar o preço da cana, e as relações com os industriais.

 

Um novo líder e conquistas emblemáticas

Alexandre Andrade Lima – presidente da AFCP (foto deve ficar dentro da mat.)

Um homem com muita disposição, coragem e vontade de soerguer o setor canavieiro pernambucano e nordestino. Este homem é Alexandre Araújo de Morais Andrade Lima (2007/16), o décimo quarto presidente na linha sucessória da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP). Desde sua ascensão ao cargo, que relutou para aceitar de início, suas gestões, três consecutivas, acumulam vitórias emblemáticas. O homem nunca pára. A todo tempo está à disposição dos interesses da classe.

Os mandatos têm sido marcados por conquistas relevantes. Dentre elas, destaca-se o programa de subvenção à cana nordestina. Ele foi iniciado em 2008 e reeditado em safras posteriores. O destaque fica tanto para a primeira como para a última subvenção, autorizada em 2013. Em ambos os casos, houve tensão entre a classe e o governo federal, havendo o risco iminente da realização de grandes protestos da classe. A última subvenção, inclusive, foi anunciada pela presidente da República, Dilma Rousseff, na sede da AFCP. Um dia antes, produtores vindos dos estados nordestinos já estavam mobilizados para realizar um expressivo protesto na visita presidencial a Pernambuco, para inaugurar a Arena da Copa, na cidade de São Lourenço da Mata.

No caso da autorização da subvenção em 2008, um protesto também já articulado e pronto para ocorrer foi o estopim que garantiu o benefício aos fornecedores nordestinos de cana. Cerca de 2 mil produtores iriam realizar manifestações durante a visita do presidente Lula ao Estado. Os protestos seriam realizados em Frente ao Palácio do Governo. Porém, três ministros do então presidente Lula, tomaram conhecimento da ação, e foram até a AFCP, onde os produtores estavam concentrados. Lá, os ministros anunciaram medidas de valorização do preço da cana. Foram eles: Dilma Rousseff (Casa Civil), Guilherme Kassel (Desenvolvimento Agrário) e José Mucio Monteiro (Relações Institucionais). Anunciaram também a autorização de leilões de açúcar, permitindo a compra pela Companhia Nacional de Abastecimento. Esta ação foi exaustivamente defendida pelo ministro José Mucio, profundo conhecedor do setor.

Cinco anos depois, em 2013, como vimos, pela primeira vez na história da AFCP, um presidente da República visitou a Entidade. Neste mesmo ano, Alexandre Andrade Lima foi considerado um dos principais líderes do setor sucroenergético nacional, em pesquisa de opinião feita pelo Jornal Cana, com industriais e produtores de todo o Brasil. Vale ressaltar que neste período, ele já havia assumido o comando da União Nordestina dos Produtores de Cana, cargo que continua em exercício, no seu segundo mandato. Ele também tinha assumido anteriormente a vice-presidência da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil. No entanto, o dirigente destaca a relevância das articulações e de parceiros para conseguir lograr êxito nas missões em favor da classe. Dentre eles, destaca-se a parceria fundamental com o Sindicato dos Cultivadores de Cana de Pernambuco (Sindicape), liderado por Gerson Carneiro Leão. “Praticamente todas as conquistas à nível governamental decorre dessa parceria, desde os dias iniciais do meu primeiro mantado em 2007”, diz. Lima se destacou ainda pelo pagamento de R$ 9 milhões de atrasados da Associa- ção, com INSS, FGTS e imposto de renda.

Agora em 2014, ano em que a AFCP completa 70 anos de existência, o gestor está prestes a emplacar uma experiência estadual inédita para a classe, com reais e significativas chances dos fornecedores de cana gerirem as usinas Cruangi e Pumaty, agregando valor a cana com a produção do açúcar e do etanol. O modelo será através de cooperativas. Antes de deixar o cargo de governador de Pernambuco, para disputar a presidência da República, Eduardo Campos havia anunciado que iria apoiar a iniciativa, investindo cerca de R$ 30 milhões no arrendamento das unidades industriais e dos canaviais dessas usinas. A iniciativa tem contribuído para dar um pouco de esperança ao setor canavieiro, o qual tem sofrido bastante para enfrentar os efeitos da maior seca dos últimos 50 anos na região nordestina, além da falta de política pública de médio e longo prazo do governo federal para o setor sucroenergético.

Como acabamos de observar, esta é uma combativa história de uma classe disposta à manutenção de um dos setores mais tradicionais da cultura pernambucana: a cana-de-açúcar e seus fornecedores e plantadorres. Neste sentido, concluímos esta singela homenagem aos 70 anos de existência da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, bem como a todos que a compõe, fazendo uma homenagem especial a uma funcionária da Associação, a Dona Ofélia – secretária geral da AFCP. A homenagem se justifica pelos serviços prestados a toda classe canavieira pernambucana e nordestina por quase cinco décadas, desde quando entrou para trabalhar na AFCP.

 

Dona Ofélia: uma vida dedicada à AFCP

Dona Ofélia

Nascia há 68 anos no Dia Internacional da Mulher, uma criança que ainda não sabia, mas sua vida inteira seria dedicada à organização dos produtores canavieiros. Até hoje, ela já dedicou 48 anos trabalhando na Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP). Essa mulher, que é esposa, mãe de três filhos e avó cinco vezes é Ofélia Santos da Rocha Carvalho – uma pessoa serena e sempre à disposição do desenvolvimento da classe. Dona Ofélia, como é conhecida, é a secretária geral da AFCP há muito tempo, sucedendo a inesquecível Terezinha Veiga de Barros. Para Alexandre Andrade Lima, presidente atual da entidade, Dona Ofélia é a reserva moral e ética da Associação. Por isso, ela acumula em todo esse tempo, a confiança dos diretores e de todos os presidentes da AFCP com quem trabalhou desde 1966. Ela já participou de grandes eventos da entidade. Ela é o arquivo vivo da AFCP. A sua vida é a prova de sua qualidade humana e profissional. Por esta razão, a Associação ao completar 70 anos, homenageia Dona Ofélia com sua foto na galeria da casa, onde ficam as fotos de todos os presidentes que passaram pela Entidade.

GazetaPE – Quais motivos levaram a senhora entrar na AFCP? Quais foram os desafios?
Ofélia – Entrei na Associação no dia 02 de maio de 1966, por indicação do vice-presidente da época, Sr. Eugênio Bandeira de Melo, atendendo a um pedido do meu pai, que era contador do Instituto do Açúcar e do Álcool. Necessitava trabalhar porque queria conquistar a independência e a autonomia financeira dentro de casa. Desafios foram muitos, como era muito nova e inexperiente, tudo era novidade. Cada dia aprendia mais, o que foi muito fácil, com a ajuda sempre de minhas colegas.

GazetaPE – Quais funções desenvolveu durante esse tempo na AFCP?
Ofélia – Recordo que quando entrei na Associação, só havia cinco funcionários: secretária, telefonista/recepcionista, motorista, contínuo, servente e uma profissional no DAS. Fiquei como auxiliar da secretária e participava das reuniões semanais e redigia atas. Respondia pelas correspondências e emissão de cheques. Cuidava do quadro de sócios, em expansão na época. Um ano após, fiquei encarregada pelo Departamento de Pessoal. Dois anos depois, acumulei funções e passei a secretariar as demandas do recém-criado Departamento Jurídico, com dois advogados para atuar nas questões junto ao IAA e ao Conselho Deliberativo do IAA.

Em 1974, na gestão Fernando Rabelo, minhas atribuições aumentaram. A contabilidade passou a ser feita na AFCP, ampliando o quadro funcional e o meu trabalho. Antes este setor era terceirizado. O quadro aumentou novamente na gestão Antônio Celso, criando o Departamento Técnico, com o objetivo de orientar os associados para aumentar a produção e a produtividade. Em 1982, com a inauguração da atual sede, contrata-se mais ainda.

Outra ampliação de funcionários ocorre em 1984, na gestão de Severino Ademar, com a implantação do setor de fiscalização do pagamento de cana pelo teor de sacarose. Inicialmente, 30 fiscais foram contratados para atuar junto às usinas. Neste momento, estava bastante sobrecarregada. Foi quando foram contratadas duas funcionárias, uma para o DP e outra para o Jurídico, atenuando a ampla carga de trabalho, haja vista que fiquei exclusivamente com a parte da secretaria da AFCP, em uma sala específica. Porém, tal situação mais tranquila, terminou com o falecimento de minha amiga Terezinha, secretaria geral da Associação. Eu tive de assumir as funções dela, acumulando a parte da tesouraria. Daí por diante o trabalho só aumentou até os dias atuais. Hoje, também respondo pela tesouraria da Cooperativa do Agronegócio dos Associados da Associação dos Fornecedores de Cana de Açúcar.

GazetaPE – Passados todos esses anos, qual a avaliação em ter ficado tanto tempo na AFCP?
Ofélia – A princípio, ressalto que minha relação com a Associação é de amor, e foi a primeira vista, amei meu trabalho desde o início. Hoje é uma extensão de minha casa, um ambiente familiar onde temos muito diálogo com todos, da diretoria aos funcionários. Não tenho lembrança de nenhum momento ruim, mas para chegar até aqui, houve também alguns sacrifícios, porque é muito difícil trabalhar, criar filhos, cuidar da família, como ocorre com a maioria das mulheres, portanto, não é um problema só meu. Agradeço também ao meu marido que soube compreender minha ausência em alguns momentos.

Muitas pessoas que passaram pela AFCP deixaram muitas saudades. Dentre elas: Lucila Queiroga, Teresa Azevedo, Mariluce Marroquim, Eveline Vasconcelos, que foram demitidas por contenção de despesas. E ainda Vera Lobo, Antônio Carlos, Celeste, Adacilda,  Everaldo e Graça Jatobá, por falecimento. Além de pessoas que vinham semanalmente a Associação, como Luiz Gonzaga Farias de Oliveira, Vicente Ferrer Gouveia de Melo, que nunca deixava de nos visitar em nossa sala.

Recordo ainda de um dos piores momentos da AFCP. Foi no governo de Fernando Collor. No período, houve bloqueios das contas bancárias, além da extinção do IAA, prejudicando significativamente a Associação, com radical redução da receita, uma vez que as usinas não eram mais fiscalizadas para cumprir com o recolhimento das taxas que descontava de seus fornecedores de cana, numa apropriação indébita.

GazetaPE – Há algum tipo de arrependimento em ter dedicado a vida para a AFCP?
Ofélia – Não me arrependo de nada. Faria tudo de novo. Arrependo-me apenas de não ter feito o curso de Direito, por motivos diversos. Se tivesse feito, poderia fazer parte do quadro do Departamento Jurídico da Associação, o que gostaria. Aproveito a oportunidade para registrar a minha gratidão pelo carinho que recebo de todos, em especial a minha eterna amiga Teresinha Veiga, responsável pelo meu aprimoramento profissional, e que contribuiu para minha permanência na Associação.